Terceiro Teste


João Baptista Soares de Faria Lago



O contraste entre, de um lado, uma grande multidão de pessoas moradoras da Santa Cecília e de outras partes da cidade, sobre e sob o Minhocão, se abraçando solidariamente, se tocando carinhosamente, dançando e compartilhando entre si desejos, afetos e outras pulsações vitais e, de outro lado, um certo segmento de moradores locais que das janelas de seus apartamentos a tudo observavam calados com a mesma expressão de presidiários vendo a rua a partir de suas celas, é algo que sugere certas reflexões, permeadas pelos seguintes elementos: uma nova geração de pessoas vivenciando e sendo atores de um novo paradigma participativo avesso às estruturas tradicionais de poder, o aflorar e o transbordamento dessas pulsações vitais e desejantes num momento histórico no qual também crescem galopantemente a intolerância à diversidade existencial através do que sugiro aqui denominar “fundamentalismo moralista”, as possíveis conseqüências da “pororoca” resultante do encontro dessas duas águas num mesmo espaço físico urbano, flutuando à deriva num mar de interesses imobiliários especulativos, dentre outros aspectos. Inicio aqui, hoje, a primeira parte de minhas reflexões. Na segunda parte articularei estes aspectos e outros mais à realidade tanto humana quanto física de áreas como a Santa Cecília e outras, da região central paulistana.

O #BaixoCentro em oposição ao fundamentalismo moralista

O #BaixoCentro, evento na região central paulistana que está reunindo milhares de pessoas, é uma proposta de re-significação dos espaços urbanos situados no entorno do “Minhocão” e o próprio “elevado”, inclusive. Ocorrendo através da expressão artística pública de muitos coletivos culturais de modo auto-gestionário e colaborativo, ao redor de percepções como a de que as ruas são para se dançar e devem ser ocupadas pela população, definir o #BaixoCentro enquanto fenômeno coletivo não é tarefa simples. Porque se trata de vivências situadas psicológica e existencialmente na dimensão daquilo que é irrepresentável (e, por conseguinte, difícil de ser traduzido pelas palavras), de pulsações desejantes que se libertam por estarem sendo coletivamente acolhidas e compartilhadas e que não podem ser, por sua própria natureza, aprisionadas em definições racionais e, menos ainda, previsíveis; tudo isso num contexto de ascensão de uma onda de moralismo que vem se tornando cada vez mais forte, a cada ano que passa.

Talvez e guardadas as devidas proporções o #BaixoCentro seja, analogamente falando, a versão paulistana da Praça Tahrir que reuniu milhões no Cairo, durante a Primavera Árabe. Com a diferença, em nosso caso, que a ditadura aqui reinante não é aquela representada por um Osni Mubarak e suas forças, mas um estado coletivo de alienação e peste emocional semelhante ao que antecedeu à ascensão do Nazismo na Alemanha dos anos 30 ou, ainda, ao moralismo que tomou conta da sociedade americana nos anos 50, através do McArthismo. Nesse sentido não estaríamos vivendo, no presente momento histórico, “apenas” numa cidade desumanizada, na qual as pessoas permanecem isoladas e encarceradas em seus apartamentos quando estão em casa e no cubículo de seus carros, nos congestionamentos de trânsito intermináveis. Estaríamos atravessando, também, um momento mental coletivo de grande avanço do moralismo religioso, de ovação e aprovação coletivas à atuação brutal de diversas polícias (militar, mas também as diversas guardas municipais, tanto da Capital quanto do Interior) que desrespeitam os direitos tanto de pessoas que querem apenas se divertir à noite num final-de-semana, quanto o direito à moradia dos que participam de ocupações de imóveis como derradeira tentativa de não se transformarem em moradores de rua; momento histórico de juízes que, à revelia da Constituição e do ECA, decretam toques de recolher para menores de idade, em várias cidades interioranas. Dentre outros exemplos muito preocupantes da ascensão de uma repressão vinda não apenas de um Estado policial truculento mas brotando, também, da própria auto-repressão e auto-anulação coletiva de si no plano individual, por parte de uma massa de muitos milhões de pessoas; como já escrevia Spinoza no século XVII, …as características do Estado refletem as características das paixões de seus cidadãos. Momento em que muitos homens ainda se referem a eventos como a Parada Gay ou até mesmo a Virada Cultural, como “antro de vagabundos, bêbados e maconheiros”. Momento no qual mulheres falidas sexual, afetiva e existencialmente, vibram e clamam, histrionicamente, pela aprovação na AL paulista de uma “lei anti-álcool” que se propõe a criminalizar até mesmo o copo de caipirinha na praia ou a latinha de cerveja consumida enquanto se está pulando num bloco de rua durante o Carnaval, momento em que se multiplica o número de homossexuais sendo espancados nas ruas, momento de moralismo presente na Internet através de tantos “mêmes” machistas debochando sarcasticamente das mulheres – dentre outros inúmeros exemplos da ascensão e disseminação, em nossa sociedade, de uma espécie de “fundamentalismo moralista brasileiro”; cujo vetor maior parece localizar-se no Estado de São Paulo e, na cidade de São Paulo e mais que em qualquer outra região da Capital e juntamente com a Zona Norte, sobretudo em espaços de sua região central como Santa Cecília, Campos Elíseos, Luz, Santa Ifigênia, Barra Funda.

cc -Some rights

Direitos autorais deste texto sob Licença Creative Commons.

– João Baptista Soares de Faria Lago -


Testando o Segundo Post

Testando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo PostTestando o Segundo Post

Primeiro Post só Pra Testar

Primeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra TestarPrimeiro Post só Pra Testar